domingo, 14 de agosto de 2011

OITENTA ANOS


OITENTA ANOS

Agora, só me restam poucos passos
Em minha vida. E nesta caminhada,
Quase chegando ao ponto de parada,
P ´ra repensar vitórias e fracassos.

Vitórias? Tive algumas nesta estrada,
Sem vivas, sem aplausos, nem abraços.
E, hoje, já vejo os derradeiros traços
Do que resta de mim, que é quase nada...

Anos são tantos, bem ou mal vividos,
De desejos e planos, uns perdidos;
Outros tantos, em pouco, alcançados...

E nos meus oitenta anos, penso, agora,
Que não esteja distante a infausta hora
De remir - face à morte - os meus pecados!

Paulo de Goes Andrade
(1931-2011)

terça-feira, 26 de julho de 2011

NÚPCIAS

NÚPCIAS

Não dominando mais o meu desejo,
Apressei-me em tirar o seu vestido.
E tive em minhas mãos, lindo, despido,
Seu corpo, que tremia a cada beijo.

E lhe tocando o busto enrijecido,
Febril, extasiada ainda a vejo
Sedenta a me agarrar naquele ensejo,
Que não tivemos antes parecido.

Instante nosso feito de carinho,
Em nossa cama – nosso ardente ninho,
Cujo calor p´ra sempre hei de lembrar

Em nossos corpos, presos num abraço,
Transpirando prazer. E de cansaço,
Quedamo-nos, por fim, fartos de amar...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A VELHICE

A VELHICE

Eu olho-me no espelho e vejo quanto
O rosto que aparece em minha frente
Está tão acabado e diferente,
Que me causa tristeza e desencanto.

E eu noto em mim o tempo impaciente,
Voraz, me destruindo tanto, tanto,
Que vejo em minha face (feita em pranto),
A desilusão, que me faz descrente.

Creio somente que não sou, agora,
Aquele mesmo que vivia, outrora,
Feliz da vida, como alguém me disse.

E, assim, tão diferente como eu sou
Do homem que ontem fui, só me restou,
Senão as marcas tristes da velhice!...

sexta-feira, 10 de junho de 2011



O NOSSO AMOR

Hoje eu sinto que já não existe nada
Daquele grande amor de ontem, de outrora,
Que, infelizmente, se acabou. E agora,
Chegamos mesmo no final da estrada.

Daquela nossa estrada, em que a toda hora,
Eu pensei fazer nossa caminhada
Até que a morte, algum dia, inesperada,
Da vida nos levasse, então, embora.

Nosso amor, no começo, foi tão lindo
Que eu pensei ser eterno, ser infindo.
Mas o destino atroz assim não quis...

E nos tornamos, pois, indiferentes
Àquele grande amor. E assim, descrentes,
Eu não sei mesmo o mal que eu te fiz...

terça-feira, 26 de abril de 2011

MORRER...

Morrer...! Será que a morte é descansar
Num sonho interminável de alegrias,
Sob acordes de doces melodias
Que a eternidade venha (ou não...) nos dar?

E, ali, vivendo intermináveis dias,
Aprendendo, de fato, o que é amar,
Vivendo, pois, no verdadeiro lar
De doces e fraternas harmonias.


Morrer...! O que será que então existe,
Depois do funeral a que se assiste
De um corpo frio que no chão se enterra

Ali, na simples cova (ou em mausoléu),
Sob a tristeza de um escuro céu
Que parece chorar por sobre a terra?

domingo, 24 de abril de 2011

FERIDAS D´ALMA

(Paulo de Góes Andrade)

Quantas vezes sofremos tanto, tanto,
Co´ as feridas doendo em nosso peito;
Feridas d´alma de um amor desfeito,
No amargor de um doloroso pranto!

Outros sentem feridas, que sem jeito,
Se a morte fez da vida um desencanto,
Arrebatando-nos alguém. Portanto,
Só nos restando a dor a ter direito.

E essa dor, que nos atinge a alma,
Parecendo que nada nos acalma,
Nem mesmo o choro p´ra essa dor passar.

Essas feridas, esse sofrimento,
Rogando a Deus, com fé, nosso lamento,
Acreditemos, ELE vai curar! ...

CUBA - 50 ANOS DE COMUNISMO

CUBA – 50 ANOS DE COMUNISMO


CARACAS — O presidente venezuelano, Hugo Chávez, felicitou neste sábado (16 de abril) Cuba pelo 50º aniversário da vitória sobre a invasão da Baía dos Porcos e pela proclamação do socialismo, um caminho que, segundo o presidente, inspira desde então a América Latina.

A imprensa venezuelana divulgou o apreço, a parceria de Hugo Chávez com Fidel Castro, conforme nota acima, o que não aconteceu com outros chefes de estado, como os da China e da Coréia do Norte, últimos redutos da teoria marxista, que, segundo Chávez, é uma inspiração da América Latina, desde a vitória dos cubanos, na Baía dos Porcos, em 1961. Chávez, outro lunático, como Fidel, quer desenterrar os fósseis do comunismo da antiga União Soviética, dando-lhes um sopro vida, com palavras mágicas de pai-de-santo, na Venezuela.

Na verdade, a vitória do Ejército Rebelde, comandado por Fidel Castro, seria um episódio histórico e louvável, aplaudido que foi pelas nações democráticas, que sempre repudiaram os regimes ditatoriais, totalitários. Cuba seria dali para frente, um território livre, em que seu povo não sofreria mais as humilhações impostas pelos privilegiados bajuladores do governo de Fulgêncio Baptista. No entanto, aquela gente, com sorriso escancarado, cheio de esperanças, mergulhou, outra vez, noutro túnel, sem saída, do imperialismo castrista-comunista, imposto a um povo pobre, despolitizado da ilha caribenha.

O líder cubano Fidel Castro confirmou sua renúncia à liderança máxima do Partido Comunista de Cuba (PCC), seu último alto cargo político, ao pedir para ser excluído do Comitê Central, principal órgão da formação, em um artigo publicado nesta terça-feira (19).

Fidel se afasta, conforme noticiado pela imprensa cubana, da liderança do PCC, o que não lhe tira o direito de “manipular” as decisões de Raúl Castro, seu irmão, que, tudo indica, ainda não se transformou num “diamante” lapidado, faltando-lhe ainda aquele “veneno” de cobra-criada que é, e que foi Fidel Castro. Raúl, munido de todos os poderes, agora, não ditará ordens a seu bel-prazer sem o crivo, sem o ‘decrete-se’ de Fidel. E, contudo, com certas aberturas proclamadas no VI Congresso do PCC, Cuba continuará, sem soluções concretas, para tirá-la da estagnação por que sempre vem experimentando. Essa abertura não significa, primeiro, liberdade de imprensa, liberdade de ir e vir do cidadão cubano, que continuará atrelado ao racionamento de produtos alimentícios, com as mesmas quotas que recebem em mercados, que são instituições administradas por funcionários do governo. O livre comércio nunca existiu. E não será agora que iniciativas privadas renasçam, dando margem até a capitais estrangeiros, criarem centros de comércio, com armazéns e, se possível, supermercados. A própria vestimenta do cidadão de cuba, incluindo calçados para homens e mulheres, não acompanhou o estilo criado nos países desenvolvidos, em que estilistas ditam moda, aguçando o instinto natural da vaidade da mulher. Ali prevalecem os padrões dos ‘estilistas’ do governo. Nada mudou. A mulher cubana não teve, até hoje, o direito de ser vaidosa.

O que Cuba produz e exporta, principalmente, níquel, açúcar e os famosos charutos cubanos, incluindo-se também alguns produtos farmacêuticos, não equilibra a balança comercial com a importação de 79% dos alimentos que consome. O turismo, ainda acanhado, engatinhando, contribui, em parte, para a entrada de divisas para os cofres do governo, já que não existem agências privadas explorando esse ramo de negócio. O estado cubano – comunista - continua sendo o dono de tudo. E, incontestavelmente, até da vida (privada) de cada um dos 11.200.000 habitantes da Ilha, com um território de 114.525 Km. (Paulo de Góes Andrade)