sábado, 14 de julho de 2012




FATASMAS DE CATEDRAL


HÁ VOZES DE FANTASMAS
EM ECOS SINUOSOS INFINDÁVEIS
QUE TREMEM DE MEDO AS COLUNAS ROMANAS
DA CATEDRAL DO NOSSSO AMOR DESFEITO.

NINGUÉM OUSA
PARAR OS FANTASMAS
QUE CAVALGAM NO TEMPO QUE FOI NOSSO
E QUE NOS SEPAROU PARA SEMPRE,
COMO DESEJASTE.
ESTAMOS TRANSFIGURADOS
EM LÁPIDES MARMÓREAS
DEPOIS DO CORTEJO FUNÉREO
DA NOSSA SEPRAÇÃO.
SOMOS AGORA COMO ALMAS DE CATEDRAIS
EM LAMENTOS SILENCIOSOS
ECOANDO NAS COLUNAS
FRAGILIZDAS DOS NOSSOS
SENTIMENTOS, AGORA SEPULTADOS...

quinta-feira, 5 de julho de 2012


A VIDA É BELA. E A MORTE?

O sol acordou o dia
e os seus raios dourados
pintaram as matas. O cristal das fontes
derramou-se pelos riachos
e rios que correm para o mar.
O gorjeio das aves entoa a orquestra de Deus
despertando novamente a vida,
que cheia de fascínios, enche
corações palpitantes de desejos.
Novos sonhos reacendem na alma da gente.
A vida é bela no sorriso das crianças,
no beijo dos amantes,
no revoar barulhento das gaivotas
sobre o azul do mar,
no soar dos sinos nos campanários,
nas buzinas estridentes dos veículos,
nos passos de gente, nas ruas,
nos lares, nos bares, nos altares
do “sim” de tantos noivos,
nos berçários das maternidades.
Tudo é vida.
A vida é bela. E a morte?
Talvez, seja noite escura,
sem um sol radiante para amanhecer...





quarta-feira, 4 de julho de 2012


A LUZ DOS TEUS OLHOS

Vejo uma lua no céu,
Na terra, vejo o luar,
Que não tem o mesmo brilho
Do brilho do teu olhar.

A luz que vem dos teus olhos,
Tão viva, com tanta cor,
Fez de mim prisioneiro
Das garras do teu amor.

Foi assim que então nasceu
Esta paixão tão sentida,
Quando os meus olhos fitaste
Co´esse olhar pleno de vida.

O próprio sol tem inveja
Do brilho dos olhos teus,
Que iluminou para sempre
A luz sem brilho dos meus.






                                              AS ROSAS

São tantas flores, são tantas
De tantas cores formosas.
Mas nenhuma tem o cheiro
Como o perfume das rosas.

Rosas brancas, rosas rosas,
Rosas vermelhas, enfim,
Rosas que cheiram p´ra sempre
Como as que deste p´ra mim!

Quem olha, então, p´ra uma rosa
Perfeita nos dotes seus,
Não pode negar, por isso,
Que ela foi obra de Deus.

E a rosa, meiga e bonita,
Co´ o perfume que ela tem,
Ela enfeita a nossa vida
E o nosso enterro também!





segunda-feira, 2 de julho de 2012



AQUELE AMOR

Já não existe mais o afeto antigo,
Tão puro e tão sincero de outros dias
Que já se foram, quando me dizias:
- P´ra sempre, creias, viverei contigo.

Momentos nossos só de alegrias,
Que ainda hoje os venero e os bendigo.
E tu dizes (talvez), o que eu não digo,
Que eles foram quimeras..., fantasias...,

Coisas banais..., tolices de momentos...!
Mas que marcaram nossos sentimentos
Tão diferentes do que, agora, são.

Tu pensas friamente, estou bem certo.
E eu tenho ainda aquele amor bem perto,
A pulsar forte no meu coração...!



domingo, 1 de julho de 2012











TU (DEFUNTO)

Não sei se já pensaste em ti: deitado,
Vestido como fosses p´ra uma festa.
Co´ alguns parentes te afagando a testa
E outros rezando para ti: finado.

... Um odor nauseante a sala infesta,
De vela, em castiçais, em cada lado
Do teu caixão, de flores enfeitado.
E tu, ali, que a nada mais se presta.

E logo chega a derradeira hora
De te levarem para o teu jazigo.
E com pesar alguém lamenta e chora.

Em prantos também sente o teu amigo.
Mas (como os convidados) vai embora,
Não desejando mais ficar contigo...



SONHOS...

Busco-te em meus sonhos
Em tantas noites,
Sentindo o calor e o cheiro que emanam do teu corpo
Bem unido ao meu corpo,
Na voluptuosidade do teu desejo
De te fazer submissa nos meus abraços,
Dando-te a febre da minha boca
Na tua carne ardente e intumescida,
Na sensação de te sugar
O néctar que fluísse de ti,
Embriagando-te de louco prazer!

Mas, tudo foram sonhos,
Meros sonhos, devaneios, ilusões
De não ter havido tempo de
Tomar-te por inteira, deixando-te
Absorver também o que se expulsasse de mim,
Nesse instante em que eu queria te sufocar
De múltiplos prazeres!
Ah...! Como desejei...!
Mas, foram meros sonhos.
Somente sonhos...!