quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


A MERETRIZ

Essa mulher que chamas de perdida.
Essa que vaga pelos lupanares,
Nos cabarés sombrios, pelos bares,
Entregue ao vício que lhe rouba a vida.

Essa que, à noite, afoga os teus pesares
No estranho ofício dessa infausta lida;
Que é repudiada ou preferida
No desejo sexual de mil olhares.

Essa mulher que rir dessa “comédia”,
Ela esconde em sua alma uma tragédia,
Que transforma sua dor em alegria.

Se alguém sentisse a mágoa do seu peito,
A tristeza, talvez, no amor desfeito,
Assim, então, não a condenaria.





terça-feira, 4 de dezembro de 2012


O AMOR

Nada é mais nobre, mais sublime quanto
O amor que se dedica a alguém na vida,
Sendo a essa ou àquela – à preferida
Dos sonhos que sonhamos. No entanto,

Se a promessa de amar for esquecida,
Jogada, sem valor, em qualquer canto,
Se transformando tudo em desencanto,
Fere demais a jura preterida...!

E como dói, assim, a indiferença
Àquilo em que se teve a mesma crença,
P´ra se viver p´ra sempre um grande amor,

Que venceu dissabores, as tristezas,
As injúrias. Enfim, as incertezas
Que nos causaram sofrimento e dor...!




MÁGOAS

No amor, cedo, perdi a minha crença,
Quando , outrora, feliz, acreditei,
Colhendo flores, que p´ra alguém ei dei,
Vivendo, assim, uma paixão imensa.

Os dissabores, que somente eu sei...,
Ferindo minha alma com uma dor intensa,
Foram julgados como minha a ofensa,
Mesmo por tudo que experimentei.

As amarguras me tornaram frio,
Carpindo, na tristeza, o amargo estio
De um amor sincero para alguém me dar...!

E, assim, para chorar perdi o jeito,
Mesmo sentindo mágoas no meu peito,
Uma lágrima só sei derramar...!








A VIDA

O mundo num cassino transformou-se,
Onde as fichas se joga atrás da sorte,
Na ganância de ser sempre o mais forte,
Como tudo, na vida, p´ra si fosse.

Sem se pensar que, um dia, a infausta morte
Transforma em amargura o que era doce
E o jogo, então, se perde. E assim findou-se,
Sem ter mais direção de sul e norte...

A vida é um jogo, um jogo desonesto,
Que para muitos só lhes sobra resto,
Na disputa infeliz do egoísmo,

Demonstrado entre cartas sobre a mesa,
No pano verde roto da esperteza
De parceiros afeitos ao cinismo...!



SUA FOTO


AINDA HOJE RECORDO, COM TRISTEZA,
AQUELA VEZ PRIMEIRA, AQUELE DIA
QUE ME ENTREGOU UMA FOTOGRAFIA
COLORIDA, TÃO CHEIA DE BELEZA,

EM QUE SEU ROSTO, PLENO DE ALEGRIA,
REFLETIA P´RA MIM TANTA PUREZA,
QUE SENTI NO SEU GESTO TAL GRANDEZA,
QUE ERA TUDO NA VIDA O QUE EU QUERIA.

AQUELE TRÊS POR QUATRO QUE ME DEU,
QUANDO ENTRE NÓS UM GRANDE AMOR NASCEU,
NELE ESCREVENDO: Com amor, te dou...;

AQUELA FOTO, AGORA, DESBOTADA,
TENHO-A COMIGO, MESMO ASSIM, GUARDADA
COMO LEMBRANÇA - O QUE P´RA MIM RESTOU.



sábado, 4 de agosto de 2012


Por do Sol no Rio de Janeiro - SunSet in Rio de Janeiro

PÔR-DO-SOL

O sol está se pondo
em lágrimas douradas que se derramam
por sobre os montes.
Deixa que se vá, com a tristeza desse poente,
tudo que nos crucia, agora,
nesse desamor que nos separa
dos dias de ontem,
quando parecíamos almas gêmeas!
Deixa que morram como os raios desse pôr-do-sol
as indiferenças que nos envolvem!
Amanhã, será outro alvorecer, com certeza.
E aquele afeto, ilimitado,
que removia rios e montanhas,
que nos enchia de tanta fé,
Quem sabe, o alvorecer, amanhã, nos traga de volta, pelo menos,
a lembrança daquele primeiro beijo que te dei,
correspondido com tanto amor?








                        O TEMPO



O TEMPO URGE IMPLACAVELMENTE
E A GENTE NÃO SE APERCEBE
QUE A VIDA VAI SE ESVAINDO
COMO A FUMAÇA DENSA
QUE SAI DE CHAMINÉ
E LOGO SE DESFAZ NO AR...
TUDO CAMINHA PARA A INCERTEZA
DOS MOMENTOS QUE RESTAM.
A ESTRADA JÁ NÃO SE PERDE NO HORIZONTE.
ABREVIA-SE A CADA PASSO DO NOSSO CAMINHAR.


O TREM SE APROXIMA DA ÚLTIMA ESTAÇÃO,
ENQUANTO A PAISAGEM JÁ NÃO É A MESMA,
PORQUE OS CAMPOS JÁ NÃO SÃO FLORIDOS.
E OS ABUTRES SOBREVOAM OS NOSSOS DIAS E O AMANHÃ INCOGNOSCÍVEL,
PORQUE OS HOMENS ESTÃO ALHEIOS AOS APELOS DE PAZ
PELOS QUADRANTES DO PLANETA.


E SEGUEM SE DIGLADIANDO
EM CONTENDAS IRRACIONAIS
FERINDO DE MORTE O AMOR,
QUE RESTAVA NO SEU SENTIMENTO,
PREFERINDO A DOR, A ANGÚSTIA E A MORTE
DO SEU PRÓXIMO, IMPIEDOSAMENTE.
ADUBAM A TERRA DE SANGUE PARA PLANTAR O ÓDIO,
TORNANDO O AMANHECER, QUE PODIA SER DE
UM SOL BRILHANTE, ILUMINANDO SORRISOS,
EM UM VALE DE LÁGRIMAS.
O TEMPO URGE IMPLACAVELMENTE
LEVANDO VIDAS COM O SOPRO MORTAL DAS VENTANIAS MARCIAIS...!